sábado, 16 de abril de 2011

Conquistas!

     As conquistas da nossa vida muitas vezes dependem de longos períodos de perdas e dissabores, mas, quando elas acontecem, nossa, que felicidade!
    Na minha vida tudo foi fruto de muito trabalho, desde muito cedo. Me lembro de ter dez anos de idade e já trabalhar marretando na feira, nossa, que coisa antiga “marretar”, muitos nem sabem o que é isso, explico: é vender coisas sem a devida licença, no meu caso, chinelos. Minha mãe preparou um saco de farinha alvejado que eu colocava na frente de uma barraca de roupa de uma feirante vizinha e punha chinelos sobre o pano branquinho e vendia, nem sei onde minha mãe comprava aqueles chinelos artesanais para eu vender, acho que era de uma parenta que os confeccionava, foi assim que comecei minha longa carreira de trabalho.
     Trabalhei também repondo mercadorias nas prateleiras em um pequeno mercado de bairro, já com 12 anos, depois entrei numa tecelagem empacotando roupinhas de bebê, fui promovida a arrematadeira (cortava linha das costuras das roupinhas), espuladeira (colocava os carretéis na máquina para encher de lã para as máquinas de tecelagem) e finalmente tecelã.  
     Depois disso, fui aprender corte e costura, pois era preciso fazer as roupas da família era mais barato e como irmã mais velha lá fui eu, costurei durante muitos anos pra família e pra rua toda, assim ficava em casa onde cuidava das irmãs mais novas e minha mãe se dedicava integralmente a Ana, irmã deficiente auditiva.
    Quando entrei na faculdade consegui trabalhar num emprego de meio período no antigo Banco Econômico e fiquei lá até começar a dar aulas para o supletivo em uma escola particular, durante dois anos fui uma espécie de professora eventual, quando faltava o professor eu ia pra classe e perguntava aos alunos se eles estavam com alguma dificuldade em algum conteúdo e então explicava o assunto que sempre recaia na matemática, ainda bem que sempre fui boa na matéria.
     Em março de 1980 comecei a dar aulas de ciências e biologia em escola pública, em 82 me efetivei, em 86 fui convidada pra ser assistente de diretor e em 88 me tornei diretora efetiva do Estado de São Paulo! Nossa, que vitória pra uma menina pobre de pai que só tem o quarto ano e mãe analfabeta.
     Hoje sou uma mulher divorciada com dois filhos que valem ouro, uma garota que está no quarto ano do curso de ciência da atividade física na USP e um garoto no segundo ano de jogos digitais na Fatec, nossa que conquista!
     Agora, estou em ritmo de espera, já com a liquidação de tempo publicada estou esperando um pouco pra ver se o governo acorda e melhora o nosso salário, pois sei que depois serei simplesmente uma aposentada e o salário de aposentado não aumenta nunca, não é mesmo?
    Tenho o grande sonho de me aposentar e viajar, conhecer e rever lugares do Brasil, talvez alguma viagem internacional, gostaria de conhecer a minha terra, porque embora brasileira desde os quatro anos, nasci em Portugal. E quem sabe se essas serão minhas próximas conquistas?

sábado, 9 de abril de 2011

Casa na Praia, sonho ou pesadelo?

Normalmente a pessoa tem vários sonhos na vida, uma casa própria, um automóvel e uma casa na praia. Mas, muitas vezes se torna pesadelo, quando alguns anos atrás junto com o ex marido comprei uma casa na praia, realizei um sonho!?
     Logo a casa se tornou um pesadelo, primeiro foram os vários consertos que tiveram que ser feitos, depois os arrombamentos, mas o pior foi às visitas, e nossa como vinha gente, e sabe como é nenhuma mulher sabe cozinhar direito, e lá ia eu pro fogão, depois do almoço ou jantar o povo normalmente tirava um cochilo e lá ia eu pra pia. Muitas vezes meu ex queria fazer bonito pros outros e comprava um monte de coco e lá ia eu ralar e fazer cocada pra dar pros amigos, vizinhos e quem mais encontrasse pela frente.
     É, casa de praia é muito bom pros outros, nunca foi pra mim nem mesmo depois da separação, pois como a casa estava no nome dos filhos adivinha quem ficou com a incumbência de cuidar do patrimônio? É pagar imposto, caseiro, calçamento da rua e tudo o mais.
     Mas, enfim a casa se tornou um sonho, acabamos de vendê-la, na verdade não foi bem uma venda, mas conseguimos nos livrar do pesadelo e agora fica a alegria, pois casa na praia são duas alegrias: quando se compra e quando se vende!
            

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre na Escola!

       O massacre que aconteceu hoje na escola municipal Tasso da Silveira,
em Realengo no Rio de Janeiro, me deu medo chegamos ao fundo do poço. Faz tempo que reclamo da falta de segurança na escola pública me sinto completamente a mercê da sorte quando chego à escola, pois não temos nenhuma proteção. Nenhum controlador de fluxo, nenhum segurança escolar, nada. Quando precisamos da ronda escolar ela chega normalmente com atraso, quando vem.
     Será que agora as autoridades vão pensar com mais carinho nas vidas que se arriscam diariamente na escola (alunos, professores, funcionários, gestores, pais)? Ou ainda é preciso de mais ataques a inocentes para que se pense seriamente na segurança escolar?
     A escola pública esta ao Deus dará, já passou da hora de se pensar nesse assunto.
    

terça-feira, 5 de abril de 2011

Trabalho ou Aposentadoria?


     Quando se tem anos de trabalho (e põe anos nisso) temos medo da aposentadoria, mas quando a nossa profissão é muito estressante, mal remunerada, pouco valorizada (magistério público) chega uma hora que temos que optar antes de ficar doente ou pior morrer antes da hora.
     Estou pensando seriamente no assunto, hoje foi um dia daqueles, uma reunião com pais de uma classe de comportamento difícil, pra variar os pais que precisavam comparecer não deram as caras, funcionários faltaram, professores que chegaram ao limite e não dão conta mais da classe e te chamam a toda hora, pais que vão à escola pra reclamar nem sabem de que, crianças brigando todo o tempo.
     E depois de tudo, vamos ver o holerite do mês, pois é não se tem incentivo pra continuar...  

domingo, 3 de abril de 2011

O Domingo...

     Passamos a semana esperando o domingo, vamos sair? Vamos almoçar fora? Vamos ao shopping? Vamos visitar parentes? Não vamos ficar em casa mesmo, precisamos arrumar algum armário, o quarto, a cozinha, ou simplesmente fazer um almoço diferente para os filhos, hoje me pediram strogonoff e la fui eu pro fogão.
     Faz tempo que não cozinho aos domingos perdi o gosto pelos afazeres domésticos quando me separei, passei anos fazendo tudo que uma dona de casa faz (lavar, passar, cozinhar, limpar, fazer artesanato) cuidando das crianças e trabalhando fora. Hoje sei que me violentei todos esses anos, na verdade não gostava de ser dona de casa, sempre gostei do trabalho e não dos afazeres domésticos.
     Agora só faço o que realmente gosto, passo a semana trabalhando na escola e nos finais de semana vou ao shopping, cinema, casa de amiga, de família, etc. e só vou pra cozinha por um pedido especial dos meus filhos.
     Não me violento mais, não faço mais nada pra agradar ninguém só faço o que me agrada, que felicidade!